quinta-feira, 26 de junho de 2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Chaga

Na penumbra dos dias, a vida é estranha.

Quando nascemos tão formosos e lindos, não se suspeita do fardo que teremos que transportar. Digo transportar e não carregar, pois transportar faz-me lembrar transportar passageiros num carro, a qualquer momento podemos largá-los, pois conseguimos vê-los. Enquanto carregar me dá a idéia de um peso nos ombros que não se sabe o que é, apenas pesa, nem se vê, para podemos tirá-lo, apenas se sente.

Hoje estava a pensar nas chagas que abrimos ao longo da vida e sim digo abrimos e não criamos porque acho que já nascemos com elas. Elas vêm com um penso, as feridas estão lá só a espera que a vida lhes toque para voltarem a abrir-se.

Tenho a impressão que tenho que curar feridas antigas, tão antigas que não lhes tenho data, e ao mesmo tempo tão recentes que as sinto sempre abertas e a sangrar.

É estranho, e ao mesmo tempo não sei explicar, mas sinto no corpo o peso da dor da alma.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Natureza do Mal


Infeliz Lúcifer,
Que de rei da Babilónia a anjo do Senhor,
Perdeu o luminoso nome em troca de um favor.

Assim se conta, desde os tempos mais antigos,
Que histórias só se conhecem desde o encontro destes amigos.

Parece que o Senhor, sem mais do que fazer,
Se quis fazer pastor sem prática de o ser.

Cabeças ele não comprou, nem tão pouco mandou fazer,
Meteu regra no engenho e o rebanho fez nascer.

Intrigados estavam os bichos, que no mundo se perdiam,
Por tamanha escuridão a do sítio onde nasciam.

Enfado eterno não quero ter.
A ti te envio, que os faças ver. – Disse-O o Senhor a Lúcifer.

Satisfeito com a ajuda, que ao Senhor ia prestar,
Num flash se pôs na Terra, impaciente por brilhar.

Depressa compôs, usando de sua razão,
Uma forma de a todos, brindar com o clarão.

Dotado de argúcia e alguma robustez,
Lançou para lá da Terra, toda a sua altivez.

Tamanha era a luz, que a todos iluminou,
Que logo ali se viu o que sempre lhes faltou.

Revoltados ficaram os bichos, que no engano se encontraram,
Por vontade do Senhor, em roda-viva se prostraram.

No espantoso rodopio às claras tudo se viu
E para temor geral, pelo redondo era o navio.

Onde está o Senhor que nos há-de comandar,
Agora que nos vemos, não sabemos onde o encontrar.

O Senhor aborrecido perante tamanha agitação,
Gritou lá do alto, Hajam com emoção, E para o fazer, têm Lúcifer por inspiração.

Reorientados para a luz, foi dor de comunhão,
Nunca tinham infantis olhos, visto tamanha perfeição.

Quem és tu Luminoso, que nos brindas com tua presença?
Sou Lúcifer, o que vos trás, toda a luz da consciência.

Bichos se tornaram Homens e num instante veio a paixão,
De uma nova vida, prometida à extinção.
Dor, doença, morte, é essa a condição,
Que tu, Luminoso, impões sem coração?

A luz é minha obra e com ela a consciência,
Mas a dor, morte e doença, são do Senhor incumbência.
E se me olhas com desgosto, ficai desde já sabendo,
Que do Senhor vêm Leis, de mim entendimento.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

“Xissa”


“Xissa”

Será que a minha alma partiu?

Onde anda a minha liberdade.

Não ouso dar passos sem os ver detalhadamente. Mas que seca.

Pode ser que assim não pise merda, duvido!!!.

Já não canto, só murmuro.

Hoje não. Não, solte-se a garganta. Venha-me a alma ou quiçá o espírito.

Enganos, não! Não se trata do grito da revolta, falo apenas da naturalidade das coisas.

Começo a conhecer-me. Não existo.





Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

Álvaro de Campos

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Zeitgeist, the Movie

Zeitgeist significa espírito do tempo. Aquilo que define um tempo, um momento em termos de cultura de massas. O nível de avanço intelectual e cultural do mundo, em uma época.

Zeitgeist, the Movie é um filme de 2007 produzido por Peter Joseph, que apresenta uma série de teorias de conspiração relacionadas ao Cristianismo, ataques de 11 de setembro e a Reserva Federal dos Estados Unidos da América.Ele foi lançado online livremente via Google Video em Junho de 2007. O filme é dividido em três seções:

  • Primeira parte: "The Greatest Story Ever Told" ("A maior história já contada")
  • Segunda parte: "All The World's A Stage" ("O mundo inteiro é um palco")
  • Terceira parte: "Don't Mind The Men Behind The Curtain" ("Não se preocupe com os homens atrás da cortina")

Fonte: wikipedia

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dia das mentiras

Achei este texto ao passear pela web.

Dia um de abril dia das mentiras?



Há muitas explicações. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado em 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril. Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX determinou que o Ano Novo seria comemorado no dia 1º de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e quiseram manter a tradição. Só que os brincalhões passaram a ridicularizar os conservadores, enviando presentes esquisitos e convites para festas que não existiam.




Estou cansada. Estou realmente cansada.
O meu corpo fecha-se à medida que o cansaço de dias se acumula.
Estou cansada da longa espera que é viver.
Viver à espera da vida. À espera do dia de amanhã para o viver.
Toda a espera cansa.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Andar


Não sei se me encontro,
Não sei se o vôo que o pardal faz é sentido,

Esse pardal que voa além de si,
Ele tem de voar.

Toda a andorinha tem uma direção,
Do frio para o quente.

Eu ando,
Os meus pés caminham sobre a terra.

O caminhar não pode ser todo além de mim,
Como o de um pardal.

Caminhar orientado, o meu?
Faz sentido andar?

Sente-se o cheiro a mirra no ar,
E levanta-se o velho ditado popular
Pernas para que te quero?


Patrícia da Vaza Santos, 1 de abril de 2008.


domingo, 30 de março de 2008

Jardim......



Um ponto de vista sobre o jardim do éden, sobre esse decisivo e tão falado fruto proibido que Eva provou,

Quando Deus criou o Adão, ele fê-lo macho e fêmea, depois cortou-o ao meio, chamou a esta nova metade Lilith e deu-a em casamento a Adão.”

Antes de Eva existiu a Lilith, essa senhora, que depois de ter sido cortada ao meio em pé de igualdade, foi desigualmente oferecida a outro ser humano para casamento. Ora, tomando como pressuposto, que em condições de perfeição nenhum ser humano pode ser oferecido ao outro. Será que neste jardim do éden ou paraíso a perfeição existe? Não será a perfeição o encontro de dois seres humanos de livre e espontânea vontade, onde nenhum “Deus” oferece nada a ninguém. Procurei no dicionário a palavra paraíso e
obtive como um dos significados bem-aventurança, não deveria isto significar felicidade?

A Lilth rejeitou a condição a que a submeteram proferindo as seguintes palavras:

"Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual." Mas Adão se recusava a inverter as posições, consciente de que existia uma "ordem" que não podia ser transgredida. Lilith deve submeter-se a ele pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido."

Este ser Humano, Lilith muitas vezes retratada como demoníaco, não terá olhado para si própria e dito: -Não, eu não me sinto aqui! Isto não me realiza.
Teria podido ela resignar-se a algo que não lhe fazia sentido. Não simbolizaria ela a necessidade do ser humano se encontrar, pensar, questionar, avaliar e sentir-se.? Não aceitar as coisas só porque são assim, só de animo leve.

“Vendo que o companheiro não atendia seus apelos, que não lhe daria a condição de igualdade, Lilith se revolta, pronuncia nervosamente o nome de Deus, faz acusações a Adão e vai embora.”

Aqui Lilith sai do paraíso, ela não teve de fingir ser, e ela vai procurar o seu caminho, nem que seja com o diabo, ela precisa encontrar-se. Qual ordem preestabelecida?

“Alguns escritos contam que Adão queixou-se a Deus sobre a fuga de Lilith e, para compensar a tristeza de Adão, Deus resolveu criar Eva, moldada exatamente como as exigências da sociedade patriarcal. A mulher feita a partir de um fragmento de Adão. É o modelo feminino permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão. A mulher submissa e voltada ao lar. Assim, enquanto Lilith é força destrutiva (o Talmude diz que ela foi criada com imundície e lodo), Eva é construtiva e Mãe de toda Humanidade (ela foi criada da carne e do sangue de Adão).”

Nasce a “bela Eva “para que adão possa existir tal como quer, ”pois segundo o escrito Adão compreende que existe uma ordem maior”….., ou, pode ser chamada a ordem do seu umbigo? Será que Eva não nasce, porque Adão não aceita a diferença do outro?
Eva aceita genuinamente a sua condição, mas não me posso esquecer que existe uma parte daquele pó que criou Adão e Lilith na costela que Adão. Eva come a maçã.

http://br.geocities.com/tamis_br/lilith.htm

sexta-feira, 28 de março de 2008

(I)Maturidade

Quantos de nós já não se questionaram quanto à maturidade dos outros que nos rodeiam.
Tendo em conta que a maturidade se revela em pequenas acções do dia a dia (pelo meu simples ponto de vista) será que na realidade nos podemos afirmar como pessoas maduras?
Claro que toda esta questão está envolta de questões sociais bastante complexas e profundas. Mas pondo de parte toda a complexidade e profundidade da questão: o que é na realidade uma pessoa madura?
Será uma pessoa madura aquela que tem uma postura perante a vida serena? Será uma pessoa madura aquela que perante a imaturidade dos outros mantém a sua postura de maturidade? Será?
Embora retirada a profundidade e complexidade social da questão ela mantém-se uma questão complexa e profunda. Daí a minha incapacidade de descrever uma pessoa madura tal e qual como eu acho que deveria ser. Porque embora eu a consiga descrever nunca, mas mesmo nunca, consigo transmitir a ideia que na realidade tenho de uma pessoa madura.
Parando toda a divagação que iniciei nos parágrafos anteriores e voltando à minha explicação simplista de maturidade.
As atitudes e posturas que revelamos no dia a dia são tão dinâmicas quanto maduras isto porque, embora eu hoje tenha tomado uma atitude considerada, pelo menos por mim, muito madura, amanhã já me posso revelar uma pessoa completamente imatura em relação a uma questão semelhante.
Daí a minha dúvida, que na realidade originou este post: seremos alguma vez completamente maduros em relção a alguma coisa?
Deixo-vos com esta questão.

domingo, 23 de março de 2008

Deserto

A imaginação,

O deserto que habita o meu reino, não mais do que a minha pessoa.

Esse que entro em áridos caminhos e sinto o cheiro da transformação...

As mãos que descobrem o corpo, a imaginação que brinca com o espírito, a personalidade cheia de maneirismos.....