quarta-feira, 14 de maio de 2008

Chaga

Na penumbra dos dias, a vida é estranha.

Quando nascemos tão formosos e lindos, não se suspeita do fardo que teremos que transportar. Digo transportar e não carregar, pois transportar faz-me lembrar transportar passageiros num carro, a qualquer momento podemos largá-los, pois conseguimos vê-los. Enquanto carregar me dá a idéia de um peso nos ombros que não se sabe o que é, apenas pesa, nem se vê, para podemos tirá-lo, apenas se sente.

Hoje estava a pensar nas chagas que abrimos ao longo da vida e sim digo abrimos e não criamos porque acho que já nascemos com elas. Elas vêm com um penso, as feridas estão lá só a espera que a vida lhes toque para voltarem a abrir-se.

Tenho a impressão que tenho que curar feridas antigas, tão antigas que não lhes tenho data, e ao mesmo tempo tão recentes que as sinto sempre abertas e a sangrar.

É estranho, e ao mesmo tempo não sei explicar, mas sinto no corpo o peso da dor da alma.

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