sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Natureza do Mal


Infeliz Lúcifer,
Que de rei da Babilónia a anjo do Senhor,
Perdeu o luminoso nome em troca de um favor.

Assim se conta, desde os tempos mais antigos,
Que histórias só se conhecem desde o encontro destes amigos.

Parece que o Senhor, sem mais do que fazer,
Se quis fazer pastor sem prática de o ser.

Cabeças ele não comprou, nem tão pouco mandou fazer,
Meteu regra no engenho e o rebanho fez nascer.

Intrigados estavam os bichos, que no mundo se perdiam,
Por tamanha escuridão a do sítio onde nasciam.

Enfado eterno não quero ter.
A ti te envio, que os faças ver. – Disse-O o Senhor a Lúcifer.

Satisfeito com a ajuda, que ao Senhor ia prestar,
Num flash se pôs na Terra, impaciente por brilhar.

Depressa compôs, usando de sua razão,
Uma forma de a todos, brindar com o clarão.

Dotado de argúcia e alguma robustez,
Lançou para lá da Terra, toda a sua altivez.

Tamanha era a luz, que a todos iluminou,
Que logo ali se viu o que sempre lhes faltou.

Revoltados ficaram os bichos, que no engano se encontraram,
Por vontade do Senhor, em roda-viva se prostraram.

No espantoso rodopio às claras tudo se viu
E para temor geral, pelo redondo era o navio.

Onde está o Senhor que nos há-de comandar,
Agora que nos vemos, não sabemos onde o encontrar.

O Senhor aborrecido perante tamanha agitação,
Gritou lá do alto, Hajam com emoção, E para o fazer, têm Lúcifer por inspiração.

Reorientados para a luz, foi dor de comunhão,
Nunca tinham infantis olhos, visto tamanha perfeição.

Quem és tu Luminoso, que nos brindas com tua presença?
Sou Lúcifer, o que vos trás, toda a luz da consciência.

Bichos se tornaram Homens e num instante veio a paixão,
De uma nova vida, prometida à extinção.
Dor, doença, morte, é essa a condição,
Que tu, Luminoso, impões sem coração?

A luz é minha obra e com ela a consciência,
Mas a dor, morte e doença, são do Senhor incumbência.
E se me olhas com desgosto, ficai desde já sabendo,
Que do Senhor vêm Leis, de mim entendimento.

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